sexta-feira, 17 de maio de 2013

A Nossa Luta


Faz um tempo que tenho lido, observado e ouvido sobre tudo isso que atualmente "atinge", no que diz respeito ao movimento evangélico cristão no Brasil, nossas ideologias e crenças.

Primeiro quero dizer que minha formação religiosa é cristã sob a ótica da Reforma Protestante. Mais precisamente de tradição batista, que se apoia em alguns poucos princípios fundamentais. Além dos dois eclesiásticos: a Igreja como comunidade autônoma, composta por pessoas convertidas e batizadas, e a separação entre a Igreja e o Estado, também cremos que a Bíblia é a única autoridade em termos de fé e ética, e no sacerdócio universal de todos os cristãos, que implica a liberdade de consciência, a responsabilidade do indivíduo diante de Deus, e o livre exame das Escrituras.¹


Enfim, percebo, e me incomodo muito, o quanto nos distanciamos da nossa responsabilidade diante de Deus. Dos nossos deveres e da nossa real luta neste mundo. 


Fazemos parte de uma nação em que é conhecida pelo "jeitinho", onde levar vantagem é a "Lei" e que vença o mais esperto. Em tudo, inconscientemente, queremos tirar proveito e nos dar bem, mesmo observando como nossa política é maculada pela fraude, corrupção, mentira, e como todos nós sofremos com este mal que contaminou todas as camadas da sociedade brasileira e em todas as profissões, de diversas maneiras possíveis e de todos os lados. Nem "igreja" é mais sinônimo de "lugar do bem". Mas mesmo assim fazemos o mesmo. Nos corrompemos, entramos no sistema, e dizemos que "não temos escolha" senão dançar conforme a música ou então nos justificamos com a justiça retributiva; "Se eles nos roubam a gente rouba também". 


Agora queremos lutar contra a institucionalização da iniquidade. E levantamos nossa bandeira de defensores da moral  e de vorazes perseguidores da imoralidade que não pode invadir nossas inocentes casas. Quando a tempos mantemos o hábito de assistir tudo que nossa super cultural TV aberta nos entrega em domicílio todos os dias.


Na verdade levantar protestos contra o homossexualismo e tudo mais não me incomoda tanto. O que realmente me incomoda em tudo isso é ver que nos "escandalizamos" muito mais com a questões morais do que com a injustiça, com a impunidade, com a corrupção. E a iniquidade torna-se só aquilo que atinge a "moral" da sociedade. [Amós 5:24]

Me incomoda perceber que nos levantamos contra o que chamamos de imoralidade sexual de forma tão ácida e feroz e nos calamos diante da fraude, do jeitinho, da falta de integridade. E não nos incomodamos com a imoralidade sexual que entra dentro das nossas casas através da TV, da internet. 


Deixamos a morte ganhar território quando não temos a mesma disposição em lutar contra o abuso sexual infantil, a fome, a miséria,a desigualdade social, o trabalho infantil, o trabalho escravo, os crimes ecológicos.


"A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça a justiça em todos os lugares." Martin Luther King


Somos conhecidos por aqueles que são contra os homossexuais, aqueles que não bebem e aqueles que não fumam. Isso realmente me incomoda. A igreja evangélica vive uma ética reduzida, distorcida e com prioridades invertidas. 

[ Is. 58.6-7 ]

Jesus disse: "...eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente." [Jo. 10.10]


Isso quer dizer que somos mais do que moralistas pseudointelectuais, ignorantes e alienados. Somos discípulos daquele que oferece vida! É nossa responsabilidade lutar por VIDA e pela VIDA! Oferecer vida aqueles que estão morrendo. Dar vida a nossa nação. É tempo de amar e servir. Essa é a nossa luta, é a nossa causa, esse é o nosso dever, nossa responsabilidade como seguidores de Jesus.


Quando começarmos a lutar por VIDA, e a nos importarmos com a integralidade cristã para o ser humano, vamos ver que amar o próximo está mais próximo de nossas comunidades, e estaremos mais próximos de Deus. [ IJo 4. 7-13]



"Busquem-me e terão vida;  [Amós 5:4]


                                                                                 Rodrigo Andrade Quintã





¹ Kivitz, Ed ReneO Direito dos  estúpidos e a liberdade dos lúcidos - Art. 2013, SP.