terça-feira, 31 de dezembro de 2013


A garantia que viveremos novas todas as coisas, todos os dias é nos dada de graça pelo coração de quem é capaz de dar a vida pelo novo! O novo é um caminho cristão! Aquele que é capaz de apagar o passado, esquecê-lo, é também quem transforma o velho em novo. A morte em vida.

É nesse coração divino de Cristo que vivemos pelo menos 4 experiências de renovação da vida que foi derramada em nós:

A primeira delas é a consciência de sermos filhos e filhas no Filho, que irrompe no profundo da alma. Não importa o quão sujos, surrados ou consumidos, nós, os filhos pródigos, somos sobrepujados por uma afeição paterna tão profunda e terna que nos faltam palavras. Enquanto nosso coração pulsa no ritmo do coração do mestre, experimentamos graça, gentileza e cuidado compassivo tais que esperam nossa compreensão. Este é o enigma do evangelho: como o Outro Transcendente  pode estar tão incrivelmente próximo, ter um amor tão livre de reservas? Temos apenas uma explicação: o mestre nos diz que é assim.

Em segundo lugar percebemos que não estamos sozinhos na nova estrada de tijolinhos amarelos. O transito é intenso. Os companheiros de viagem são muitos. Não somos mais somente eu e Jesus. A estrada está salpicada de gente moral e imoral, bela e molambenta, amiga e inimiga, pessoas que nos ajudam e nos atrapalham. Seres humanos de complexidade e diversidade extraordinárias. A grande lição de amar ao próximo como a nós mesmos já sabemos há muito tempo, mas casamentos tristes, famílias problemáticas, igrejas divididas, sociedades hostis e injustas indicam que não aprendemos direito. 

O mestre não cansa de ensinar que o amor é a chave para a renovação da vida.  Na vida do novo, viver e amar são a mesma coisa. O coração fala ao coração. O Mestre roga: "Você não entende que o discipulado não tem nada a ver com capricho, perfeição ou eficiência? Tem tudo a ver com a maneira pela qual vocês convivem." A cada encontro, damos ou recebemos vida. Nossa reação a necessidade humana é o que nos define. Se velhos ou se novos!

Em terceiro lugar o cristianismo consiste, principalmente, não naquilo que fazemos para Deus, mas no que Deus faz por nós. Quando Deus flui em nossas vidas, no poder de sua Palavra, tudo o que pede é que fiquemos perplexos, boquiabertos e comecemos a respirar fundo a nova vida que nos deu. Espanto, admiração e fascinação induzem a uma humildade silenciosa. Temos um breve vislumbre do Deus que nunca sonhamos que existisse. O inesperado novo, o Deus que faz sempre muito mais do que sonhamos ou poderíamos imaginar. O verdadeiro novo.

Em quarto e último lugar, a vida que é nova se refaz todo dia, e tudo se faz novo de novo. A beleza do reconhecer a imperfeição e da dependência. O nome de Deus é misericórdia. Homens e mulheres sábios há muito sustentam que a felicidade reside em sermos nós mesmos sem inibições. Deixe o Grande Mestre apertá-lo, silenciosamente, perto do Seu coração. Conhecendo quem Ele é, descobrirá quem você é: filho de Deus, em Cristo que faz nova todas coisas, e que as coisas velhas já passaram, e tudo se fez novo.... 
DE NOVO!

Feliz Ano Novo de Novo! 


© Rodrigo Andrade Quintã









segunda-feira, 16 de dezembro de 2013






















Minha vida é testemunho dessa graça vulgar - uma graça que espanta e que ofende. Uma graça que recompensa o trabalhador aplicado que se dedica o dia todo às suas tarefas com o mesmo salário pago ao bêbado sorridente que aparece pra trabalhar às 10 e vai embora as 17h. 

Uma graça que levanta a barra das vestes e corre precipitado em direção ao pródigo pecador malcheiroso e o envolve nela, decidido a dar uma festa de qualquer jeito. Uma graça que ergue os olhos injetados de sangue e acolhe o pedido de um ladrão moribundo - "Por favor, lembre-se de mim" - e diz a ele: "É lógico que sim!".

Uma graça que é o prazer do Pai encarnado no Messias carpinteiro, Jesus, o Cristo, que deixou a direita do Pai não por causa do céu, mas por causa de nós, de você e de mim. Essa graça vulgar é compaixão indiscriminada. Ela opera sem pedir nada de nós. Não é barata. É gratuita, e por isso mesmo será sempre uma casca de banana no caminho dos ortodoxos e um conto de fadas para a sensibilidade adulta. A graça é suficiente, embora nos debatamos e tentemos encontrar alguma coisa, ou alguém, que ela não seja capaz de cobrir.

A graça é suficiente. Ela é suficiente. Jesus é suficiente. O amor do Pai não pode ser compreendido.



© Rodrigo Andrade Quintã

terça-feira, 10 de dezembro de 2013


"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós..." (João 1:14)

Jesus foi totalmente Deus e totalmente Homem. Muito falamos de sua divindade e de como nos ensinou sendo o próprio Deus entre nós. E como homem? Em sua humanidade Jesus nos trouxe também bastante "coisa" pra aprender. E dentre todas estas "coisas", escolhi 10 que me parecem ser um bom caminho a seguir:

1. É necessário sentir. Acolher a dor. Receber a alegria. Chorar e sorrir. Irar-se e acalmar.

2. É preciso tocar. Ir perto, bem perto. tão perto que eu sou você e você sou eu.

3. Abraçar o abraço solitário. Repartir, dividir e compartilhar. Estar junto com outros e outros com você, juntos. Sentar a mesa com amigos. Conversar.  Caminhar junto. Ganhar tempo em comunidade. Não se perde tempo quando se está entre irmãos.

4. Viver a vida abundante. Viva intensamente! Dê o melhor! Busque! Cada instante e cada momento é um momento singular. O presente é o que temos. O mais importante da sua vida. Basta cada dia seu mal.

5. Estar com quem precisa estar. Com quem não precisa, ensinar a estar. Sempre estar onde precisam. Não se negocia amor e justiça por política, dogma ou religião.

6. Escolher e decidir. Ter a responsabilidade sobre cada passo. Andar no caminho que é seu, mas sempre na companhia de Deus. Tão importante quanto saber pra onde se vai, é com quem se vai.

7. Reputação e Caráter não são a mesma coisa. Caráter você constrói. Reputação constroem em você. Caráter fala POR você. Reputação falam DE você.

8. Há perguntas que não têm respostas, ou que não serão respondidas. Mas tê-las faz parte de ser humano.

9. Ser a imagem e semelhança nos torna próximos do Pai. Querer ser Igual ao próprio Deus, nos faz diabos.

10. Ser feliz está no servir. Feliz em servir é ser. E ser porque o outro é.  O Deus que é homem, é um só com o Deus que é, e um só com Deus que é Espírito. E que não há mais ninguém melhor do que Este que se fez Homem.  Ser um só com outro, portanto, é humano no encontro, e divino no ser.

© Rodrigo Andrade Quintã