domingo, 22 de junho de 2014
Inventamos! É nossa criação! Cristãos que “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo.
Inventamos! É nossa criação! Prega-se o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para a igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Vazio!
Inventamos! É nossa criação! Seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!
Os homens inventaram outro Cristo por aqui...
Eu quero voltar a primeira invenção! Ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltar aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam – em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome “meu”, mas, o pronome “nosso”.
Quero a primeira invenção! Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.
Que assim seja a minha oração.
© Rodrigo Quintã
* [Baseado em trechos dos textos da série "Desabafo", de Caio Fábio, Ricardo Gondim e Ariovaldo Ramos]
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Uma negociação extraordinária se dá entre Jesus e o Pedro às margens do mar Tiberíades. As mais tristes palavras já proferidas assumem a forma de uma pergunta para o coração: " Você me ama?". O que está acontecendo aqui? Nenhuma divindade de qualquer religião do mundo jamais se perguntou como nos sentimos a respeito dela. Os deuses pagãos, por exemplo, lançavam raios para lembrar a ralé quem estava no comando. O Mestre em quem o infinito habita pergunta se nos importamos com ele. A vulnerabilidade de Deus ao se permitir ser afetado por nossa reação e o lamento de Jesus ao chorar por Jerusalém não tê-lo recebido são impressionantes. O Cristianismo consiste, principalmente, não naquilo que fazemos para Deus, mas no que Deus faz por nós.
Ao mesmo tempo somos atingidos por aquilo que a tradição hebraica chama de Kabod Yahweh, a majestade esmagadora de Deus. Uma quietude profunda e fria invade o santuário interior da alma. A consciência revela que Deus é totalmente Outro. O abismo entre o Criador e a criatura é intransponível. Somos grãos de areia numa praia de dimensões infinitas. Estamos na presença majestosa de Deus Despidos das credenciais de independência, desaparecem a empáfia e a afetação. Viver na sabedoria de quem aceitou a ternura já não é mais a atitude adequada. O nome de Deus é Misericórdia.
A fé se agita, o temor e o tremor encontram seu tom mais uma vez. Na adoração, nos dirigimos a à insuficiência extraordinária que é nosso louvor a Deus. Nós nos movemos do cenáculo, onde João deitou sua cabeça no peito de Jesus, para o livro de Apocalipse, em que o discípulo amado cai prostrado diante do Cordeiro de Deus.
O cenário paradoxal do Deus que se aproxima da nossa imerecida condição. Espanto, admiração e fascinação induzem a uma humildade silenciosa.
A majestade de Deus não está em sua onipotência, onipresença ou onisciência. Sua majestade está em Seu amor. Pois ELE o É.
© Rodrigo Quintã
Assinar:
Postagens (Atom)

