quarta-feira, 10 de setembro de 2014




Sou só eu ou você está cansado de conviver com um monte de clichês subjetivos a respeito de relacionamentos dentro da cultura cristã?

Nós nos jogamos em torno de certas frases/conceitos, cobrindo-nos com a chamada "fé", quando, na verdade, muitas vezes, são apenas rótulos enraizados no medo. O medo do desconhecido. Medo de erros. O medo de errar. Medo de que não sabemos o suficiente sobre relacionamentos.

Já passei por muita coisa em minha caminhada até aqui, principalmente em relacionamentos. Errei muito, acertei as vezes, e continuo aprendendo, e errando. E aprendi algumas coisas importantes que gostaria de dividir com vocês que tiverem coragem de ler esse texto. 

Eu os resumi em 6 verbos,  que acredito, podem te ajudar a caminhar para um relacionamento saudável.

1. PARE

Apenas considere essa opção. Veja que acelerar demais na curva pode te jogar pra fora da estrada, ainda mais em curvas perigosas. Antes de mais nada, PARE. Cuide-se, PARE de se preocupar. Como dizia o poeta: "Deixa acontecer naturalmente." É mais ou menos isso. Seja completo(a), não precise de alguém para ser feliz. Seja feliz! Pessoas bem resolvidas chamam mais atenção que pessoas carentes, ou desesperadas. 

Uma vez um professor meu de fotografia, na faculdade de jornalismo, ensinou que uma boa foto de paisagens começa no curtir. Parar, admirar. Antes de qualquer movimento. O que na maioria das vezes acontece é querermos logo tirar foto, atônitos com a imagem que estamos presenciando, e ansiosos tiramos foto pra postar no facebook. Calma, pare, deixa o tempo parar. O profeta Rogério Flausino já dizia: "Vai dizer que o tempo, não parou naquele momento!" Ai então olhe e perceba o melhor ângulo, a melhor lente, para o momento adequado, para enfim guardar a melhor recordação da paisagem

Nesse caso, observe o melhor momento para começar a agir. Não tenha pressa. Afinal ela é uma antiga inimiga.


2. PENSE

Não entre em um relacionamento sem saber aonde quer ir. Não foram poucas as vezes que perguntei para casais de namorados que recém começaram um relacionamento, o que eles planejavam agora que estavam juntos e eles não sabiam responder. Não faz sentido a não ser que você queira só curtir e quem sabe um dia ver no que dá. A gente não "vê no que dá quando tratamos de pessoas, de outro ser humano, outro coração. Quando entendemos que somos imagem e semelhança do próprio Deus a gente toma muito cuidado com o coração do outro. É solo sagrado. E na boa a gente só pensa assim quando não sentimos algo forte pelo outro, porque quando estamos apaixonados queremos casar no dia seguinte, 

Não é uma intimação ao casamento, mas também não é um libera geral para micareta de Jesus! É apenas um conselho pra você que quer começar algo novo com alguém: PENSE! seja claro em seus objetivos. Vai evitar frustrações e futuras decepções de ambas as partes.


3. PROCURE

Até quando eu vou esperar em Deus?

A gente passa a vida procurando alguém. Daí chega uma galera e fala pra gente que temos que esperar. Aí a gente espera. E como espera, espera, espera e espera. Daí quando cansamos de esperar, vem e aparece alguém, e a gente, cansados de esperar, acha que foi enviado por Deus, até porque não dá mais pra esperar. Pior! O conselho de esperar é tanto pra menina quanto pra menino, o que faz da situação mais grave. Enquanto um espera pelo outro parado, a vida passa, e sua frustração só aumenta. 


O problema não é esperar, mas o que se faz enquanto se espera. Confiar na sabedoria, soberania e que Deus tem o melhor pra nós e saber esperar nEle, não é uma desculpa para viver uma vida passiva. Esperar em Deus não significa apertar o botão de pausa na vida. Em vez disso, aprendemos a ter uma vida passo a passo. É importante procurar proativamente as coisas que queremos na vida, incluindo relacionamentos.

4. ESCUTE

Ouça seus amigos. Ouça seus pares. Ouça os amigos dele(a). Ouça seus pais. Sim! Ouça seus pais. porque como dizia o poeta: "São crianças como você, o que você vai ser quando você crescer." O que quer dizer que eles manjam dos "paranauê", mesmo que a vida seja sua e que a decisão seja sua, ouvir não mata, e nem estraga. Pelo contrário, ajuda a fazer escolhas. Foi pra isso que Deus nos deu um ao outro. Ouça a todos e baseado naquilo que ouviu, pondere, pese na balança, analise e conheça. Mas não pense que vai saber tudo antes de começar um relacionamento. É impossível conhecer totalmente uma pessoa antes de começar algo mais profundo. Talvez até, nunca conheça inteiramente. Somos humanos, e vivemos nos surpreendendo. Mas procure saber o necessário, o suficiente, o bastante. Mas não entre em algo que vai dizer depois: "Eu não sabia que ele(a) era assim!". Assuma responsabilidades.


5. ESCOLHA

Será que Deus fecha portas ruins e abre portas boas?

Às vezes. Muitas vezes, Ele nos dá a sabedoria que precisamos para fazer essas escolhas por nós mesmos. Não são poucas as vezes que oramos a Deus achando que Ele é um tremendo estraga prazeres. Tipo: "Quero namorar a(o) loirinha(o), mas que seja feita sua vontade Senhor!". No amém já sabemos que Deus vai mandar a(o) moreninha(o). Primeiro: se sua oração é essa ou perto disso, volte ao ponto 3 deste texto. Segundo: Muitas vezes pedimos a Deus para fechar uma porta que já sabemos que devemos andar longe. E, então, culpar Ele, que Ele não fez, é um baita jogo do empurra. Isentar-nos de nossa responsabilidade como seres humanos criados para esta existência. 


Dúvidas? Aprenda a conviver com elas, Temos mais perguntas que respostas e você sempre terá um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não deixe elas te paralisarem. Tudo o que temos (ou só o que temos), é ESCOLHA. Sabendo que Deus nos deu tudo o que precisamos para fazer boas escolhas para as nossas vidas quando ouvimos a Sua voz.

6. VIVA

Não espiritualize tudo! Viva no chão da vida! Líder espiritual não é aquele que lembra de fazer devocional todo dia com seu parceiro. A mulher sábia não é aquela que não usa maquiagem ou não tem vaidade. O fruto do Espírito de Deus em ação na vida de alguém não é uma questão de devoções simples, oração ritualística ou usos e costumes, mas em vez disso é um excesso de amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, mansidão e graça.

Se apaixonem. Se conheçam, curtam, dividam sonhos, planejem viagens, construam uma história juntos. Deus nos fez pra dividir. Descubram a vida que pensa em primeiro no outro. Amor é verbo, decisão, escolha mas também é sentimento, sintam ele, e escolham sentir esse amor todos os dias. Descubram Deus no relacionamento, porque Deus é amor. Descubram na imperfeição a perfeição do ser um com outro. Aprendam a negar se a si mesmo pelo outro. Discutam, e até briguem, mas não deixem que saiam derrotados da briga. Cresçam um com outro. Certa vez uma pessoa muito importante pra minha vida me ensinou: Existem 4 coisas importantes para saber se estamos no caminho certo com alguém: 

1. As coisas tem que acontecer com facilidade e naturalmente. 
2. Você precisa gostar de gostar desse alguém. 
3. Você precisa saber que esse alguém gosta de você 
4. PAZ, o medo as vezes pode até vir mas lembrando que o amor afasta todo medo.

Talvez seja a hora de parar de esconder nossos medos por de trás da aparência da cultura cristã e, ao invés, confiar fielmente no poder de Cristo em nós, vivendo uma vida de amor, liderado pelo Seu Espírito em todos os ambientes da nossa caminhada.


© Rodrigo Quintã



domingo, 22 de junho de 2014







Inventamos! É nossa criação! Cristãos que “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo.

Inventamos! É nossa criação! Prega-se o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para a igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Vazio!
Inventamos! É nossa criação! Seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!

Os homens inventaram outro Cristo por aqui...

Eu quero voltar a primeira invenção! Ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltar aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam – em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome “meu”, mas, o pronome “nosso”.

Quero a primeira invenção! Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Que assim seja a minha oração.

© Rodrigo Quintã





* [Baseado em trechos dos textos da série "Desabafo", de Caio Fábio, Ricardo Gondim e Ariovaldo Ramos]

sexta-feira, 6 de junho de 2014









Uma negociação extraordinária se dá entre Jesus e o Pedro às margens do mar Tiberíades. As mais tristes palavras já proferidas assumem a forma de uma pergunta para o coração: " Você me ama?". O que está acontecendo aqui? Nenhuma divindade de qualquer religião do mundo jamais se perguntou como nos sentimos a respeito dela. Os deuses pagãos, por exemplo, lançavam raios para lembrar a ralé quem estava no comando. O Mestre em quem o infinito habita pergunta se nos importamos com ele. A vulnerabilidade de Deus ao se permitir ser afetado por nossa reação e o lamento de Jesus ao chorar por Jerusalém não tê-lo recebido são impressionantes. O Cristianismo consiste, principalmente, não naquilo que fazemos para Deus, mas no que Deus faz por nós. 

Ao mesmo tempo somos atingidos por aquilo que a tradição hebraica chama de Kabod Yahweh, a majestade esmagadora de Deus. Uma quietude profunda e fria invade o santuário interior da alma. A consciência revela que Deus é totalmente Outro. O abismo entre o Criador e a criatura é intransponível. Somos grãos de areia numa praia de dimensões infinitas. Estamos na presença majestosa de Deus Despidos das credenciais de independência, desaparecem a empáfia e a afetação. Viver na sabedoria de quem aceitou a ternura já não é mais a atitude adequada. O nome de Deus é Misericórdia. 

A fé se agita, o temor e o tremor encontram seu tom mais uma vez. Na adoração, nos dirigimos a à insuficiência extraordinária que é nosso louvor a Deus. Nós nos movemos do cenáculo, onde João deitou sua cabeça no peito de Jesus, para o livro de Apocalipse, em que o discípulo amado cai prostrado diante do Cordeiro de Deus.  

O cenário paradoxal do Deus que se aproxima da nossa imerecida condição. Espanto, admiração e fascinação induzem a uma humildade silenciosa. 

A majestade de Deus não está em sua onipotência, onipresença ou onisciência. Sua majestade está em Seu amor. Pois ELE o É.


© Rodrigo Quintã

quarta-feira, 23 de abril de 2014






Há dois mil anos, para salvar o mundo, bastava convidar as pessoas a abraçarem uma ideia radical e revolucionária de convivência. Hoje em dia é preciso lembra-las, em primeiro lugar, do que é convivência; que há um mundo possível determinado pelas relações autônomas e criativas entre as pessoas, um mundo louco impulsionado pela graça fragilíssima da amizade e não pela sociedade de consumo, pela internet, pelos times de futebol, pela marca da roupa, pelo modelo do carro, pelo peso onipresente das pressões familiares, religiosas, sexuais, econômicas, raciais e políticas.

Deus é amizade, e a linguagem da amizade é perpetuamente livre, provisória e gratuita; depende de sujeições voluntárias e de autonomias ininterruptamente soberanas.

O radical na mensagem de Jesus não está em Ele esclarecer o mais ou menos óbvio, que as amizades e os relacionamentos são vida e as instituições morte; o revolucionário está em que ele propõe o passo seguinte, definitivo e louco, e definitivamente redentor. Em suas palavras e exemplo, o nazareno explica que até as mais belas amizades podem se tornar morte, a não ser que se disponham a manter-se perpetuamente abertas, isto é dispostas a celebrar a própria precariedade e aceitar a inclusão de quem quer que seja em seu círculo de convivência.

Jesus desafiava continuamente esses limites convencionais da amizade cordial condicionada. O Filho do Homem, como representante do Deus Não-Condicionado, recusava-se a oferecer qualquer resposta condicionada, não importando a situação social em que se encontrasse. Fosse diante de um rei, de um sacerdote ou de uma prostituta, o que Jesus oferecia não era a resposta convencional, estratégica, socialmente adequada e politicamente correta.

O que Ele oferecia, revolucionariamente, era a oferta de uma vontade livre que não esperava outra coisa da pessoa com quem estava se relacionando. Jesus estava à margem de qualquer domesticação ou institucionalização das relações humanas. Sua história é narrada em  4 livros diferentes na Bíblia, porém não escreveu livro algum e não deixou recomendação alguma para que algum seguidor seu o fizesse.

O que faz o Filho do Homem nos evangelhos é basicamente estar com as pessoas, aplicar-lhes a cura com o toque das mãos, andar sem destino na beira do mar, levar a dúvida onde havia a certeza, levar a paz onde havia a culpa.

O Homem de Nazaré abraça a experiência dos sentidos por completo, redimindo-a em todas as suas idiossincrasias e limitações. Sua espiritualidade é a do toque, da unção, da comida, da carne, do unguento, do aconchego no peito, do vinho, da farinha, da fome, do barro, da saliva, da sede, do pão, da água, do sangue.

O Reino que ele procura propor ou revelar é rigorosamente este nosso mundo, transformado por mãos e olhos que ousem desvendá-lo ou experimentá-lo, se é que existe diferença. Seu argumento é a comparação e sua retórica, a narrativa, em especial a sua própria. Seu método e seu legado, aos quais corresponde a sua mensagem, é existir. Seu significado, morrer e sua herança é VIDA.

Tudo o que Jesus fez foi ser gente e estar com gente, e deixou esta única recomendação. Se chegou até nós algum eco real e transformador da vida e da vitalidade do rabi de pés empoeirados, foi através do salto de gente sobre outra gente, chegou-nos pela vertigem multiplicadora de onze que abraçaram cento e vinte, que a seu tempo tocaram outros mais, até enfim, de VIDA em VIDA essa boa-nova tocar a nossa morte e em nós a VIDA continuar se perpetuando no meio da gente. 


© Rodrigo Quintã


terça-feira, 18 de março de 2014























Não tenho problemas com as perguntas. Kushner vai dizer que tentar encontrar a Grande Resposta para a Grande Pergunta a respeito do problema da vida é como tentar comer a Grande Refeição para nunca mais ter de se preocupar com a fome. Quando aprendemos a viver, a própria vida é a recompensa. Não tenho medo nem de viver e nem de morrer. O oposto da fé não é a dúvida, é o medo. 

Não preciso entender tudo, saber tudo, compreender tudo, dominar tudo para gostar de viver e crer que viver vale a pena. Já não me prendo mais a rasa e reducionista questão do mal que tira o sentido da vida. Chesterton diz que a existência do mal e do lado sombrio da vida só nos agride por causa da existência do bem e do lado luminoso da aventura humana. Quem pretende negar Deus por causa do Mal, deve dar uma boa explicação para o Bem.



© Rodrigo Andrade Quintã


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014


Qual é exatamente o papel da igreja local na obra de justiça? 

Na verdade a Igreja deve ajudar o cristão a moldar todas as áreas da vida com o evangelho. Para fazer justiça é preciso equilíbrio em vários níveis. Significa ministrar tanto por palavra quanto por obras, por intermédio da igreja local e por meio de agentes individuais espalhados pelo mundo. 

Fazer justiça nas comunidades pobres inclui assistência direta, desenvolvimento pessoal, desenvolvimento comunitário, reconciliação racial e reforma social. Isso significa engajar-se em assistência, desenvolvimento e reforma.

Fazemos tudo isso não somente porque a Bíblia ensina que as causas da pobreza são complexas, mas porque o evangelho de Cristo nos provê UM ARSENAL DE ARMAS DIFERENTES CONTRA AS FORÇAS DA INJUSTIÇA E DA ESCASSEZ NO MUNDO.

Porém nenhuma das armas é uma arma literal. Não é nesse tipo de batalhas em que nos alistamos. Como o velho hino diz: "Não é com espadas se chocando ruidosamente, nem com o soar agitado dos tambores, mas com obras de amor e misericórdia que o Reino dos Céus vem ao mundo".



© Rodrigo Andrade Quintã