segunda-feira, 16 de dezembro de 2013






















Minha vida é testemunho dessa graça vulgar - uma graça que espanta e que ofende. Uma graça que recompensa o trabalhador aplicado que se dedica o dia todo às suas tarefas com o mesmo salário pago ao bêbado sorridente que aparece pra trabalhar às 10 e vai embora as 17h. 

Uma graça que levanta a barra das vestes e corre precipitado em direção ao pródigo pecador malcheiroso e o envolve nela, decidido a dar uma festa de qualquer jeito. Uma graça que ergue os olhos injetados de sangue e acolhe o pedido de um ladrão moribundo - "Por favor, lembre-se de mim" - e diz a ele: "É lógico que sim!".

Uma graça que é o prazer do Pai encarnado no Messias carpinteiro, Jesus, o Cristo, que deixou a direita do Pai não por causa do céu, mas por causa de nós, de você e de mim. Essa graça vulgar é compaixão indiscriminada. Ela opera sem pedir nada de nós. Não é barata. É gratuita, e por isso mesmo será sempre uma casca de banana no caminho dos ortodoxos e um conto de fadas para a sensibilidade adulta. A graça é suficiente, embora nos debatamos e tentemos encontrar alguma coisa, ou alguém, que ela não seja capaz de cobrir.

A graça é suficiente. Ela é suficiente. Jesus é suficiente. O amor do Pai não pode ser compreendido.



© Rodrigo Andrade Quintã

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