sexta-feira, 6 de junho de 2014
Uma negociação extraordinária se dá entre Jesus e o Pedro às margens do mar Tiberíades. As mais tristes palavras já proferidas assumem a forma de uma pergunta para o coração: " Você me ama?". O que está acontecendo aqui? Nenhuma divindade de qualquer religião do mundo jamais se perguntou como nos sentimos a respeito dela. Os deuses pagãos, por exemplo, lançavam raios para lembrar a ralé quem estava no comando. O Mestre em quem o infinito habita pergunta se nos importamos com ele. A vulnerabilidade de Deus ao se permitir ser afetado por nossa reação e o lamento de Jesus ao chorar por Jerusalém não tê-lo recebido são impressionantes. O Cristianismo consiste, principalmente, não naquilo que fazemos para Deus, mas no que Deus faz por nós.
Ao mesmo tempo somos atingidos por aquilo que a tradição hebraica chama de Kabod Yahweh, a majestade esmagadora de Deus. Uma quietude profunda e fria invade o santuário interior da alma. A consciência revela que Deus é totalmente Outro. O abismo entre o Criador e a criatura é intransponível. Somos grãos de areia numa praia de dimensões infinitas. Estamos na presença majestosa de Deus Despidos das credenciais de independência, desaparecem a empáfia e a afetação. Viver na sabedoria de quem aceitou a ternura já não é mais a atitude adequada. O nome de Deus é Misericórdia.
A fé se agita, o temor e o tremor encontram seu tom mais uma vez. Na adoração, nos dirigimos a à insuficiência extraordinária que é nosso louvor a Deus. Nós nos movemos do cenáculo, onde João deitou sua cabeça no peito de Jesus, para o livro de Apocalipse, em que o discípulo amado cai prostrado diante do Cordeiro de Deus.
O cenário paradoxal do Deus que se aproxima da nossa imerecida condição. Espanto, admiração e fascinação induzem a uma humildade silenciosa.
A majestade de Deus não está em sua onipotência, onipresença ou onisciência. Sua majestade está em Seu amor. Pois ELE o É.
© Rodrigo Quintã
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