Simplesmente pare de olhar para os lados buscando culpados. Pare de justificar o injustificável. Pare de tentar achar nomes ao inominável. Pare de fugir deliberadamente pelos cantos, de sair por ela, a famosa tangente. Pare de se colocar inexorável num ambiente oxidado pela arrogância, egoísmo, prepotência e pela insensibilidade de gente que deixou de ser humana faz muito tempo. Pare! Parecemos hienas sorrindo a espreita de mais uma carcaça para devorar, de dejetos para nos deliciarmos da podridão humana. Somos Abutres da tragédia do outro lado. Jogando a carniça na conta da ideologia do outro. Monstros!Somos a petulância de deuses que riem da dor do outro, quando qualificamos o outro, do lado oposto ao meu.
Sempre fui um anti-revolucionário convicto por meio da avaliação histórica desses tais movimentos revolucionários que nunca deixaram de repetir a opressão, em grau até mesmo superior, daqueles que diziam combater. Hoje sou um anti-revolucionário mais convicto por ver parte da minha geração sorrindo com as mãos sujas, vibrando enquanto pratica a imoralidade e a corrupção que pretende combater.
Eu prefiro a revolução dos pacificadores!
PARE! E finalmente pergunte-se: Quanto da maldade que atinge você e seu mundo te tornou um malvado? Que já não olha pra tragédia com compaixão, mas ao invés disso olha pra ela como uma cena política e uma oportunidade de destilar seus argumentos ideológicos contra seus irmãos.
Quanto nos tornamos cegos? Não vemos que nosso próximo sangra e nós estamos bebendo seu sangue em taças de orgulho para exibir nossa linda e irrefutável OPINIÃO sobre o assunto.
E os que choram? Os que sofrem? Os oprimidos? Os cansados? Os explorados? Onde acharão consolo? Onde encontrarão refúgio? Na nossa guerra de ideologias os porões estão lotados de Marielles, Evaldos, Brumadinhos, Suzanos, Marianas, Etc...
A morte ganha espaço, e nós a perpetuamos quando não tomamos posição ao lado da VIDA.

Nenhum comentário:
Postar um comentário